Boi Corre Campo 63 anos fazendo cultura popular


Zé Katraca | 05/05/2017

Tudo começou no ano de 1954, no terreiro da casa da dona Conceição na Baixa da União. Nego Hélio filho de Conceição resolveu fazer um Boi Bumbá de Caixa para brincar com seus colegas, entre eles, o mais considerado, era um garoto peruano. Depois já com outros companheiros, fez um boi de cipó e cobriu com sarrapilha com a ajuda da prostituta “Maria Roxinha”, faltava um nome e foi aí que dona Conceição lembrou, que já existia o Boi Rei do Campo. “Porque vocês não colocam o nome do boi de vocês de Corre Campo?” e o boi foi batizado como Boi Bumbá Corre Campo da Baixa da União. No início da década de 1960 Nego Hélio passou a direção do grupo para o Amo conhecido como Galego.

Sob a direção do Galego o Corre Campo foi vencedor de vários festivais folclóricos, à época, realizados pelo Serviço de Auto Falante “A Voz da Cidade” dirigido por Fuad Nagib e Humberto Amorim. Durante a década de 1970 a brincadeira de bumbá em Porto Velho foi proibida de ser praticada fora dos “Currais” dos bumbás e com isso, a maioria dos grupos deixaram de se apresentar, entre eles o Corre Campo.

No final da década de 1970 houve uma tentativa de colocar novamente o Corre Campo no circuito, juntaram-se os folcloristas seu Chagas, Antônio e José de Castro Alves (Zé Comichão) e o boi voltou a se apresentar no curral montado ao lado do Bar Canta Galo, veio o Estado de Rondônia e criaram o Flor do Maracujá, porém, esqueceram de convidar o Corre Campo para fazer parte da festa o que só aconteceu no ano de 1989, dessa vez contando com a volta do Amo Galego e a direção da família Castro Alves.

O maior vencedor do Flor do Maracujá

A partir do Flor do Maracujá de 1990 até os dias de hoje em 2017, o Corre Campo se tornou no maior vencedor de títulos da Mostra de Quadrilhas e Bois Bumbás que acontece no Arraial. “Temos em nossa galeria, mais de 15 troféus de campeão do Flor do Maracujá, inclusive os de 2015 e 2016 e vamos em busca do tri campeonato este ano”, disse a presidente Maria José Brandão a Dona Branca.

Na realidade, desde o ano de 2004 a bacharel em direito Maria José Brandão Alves a dona Branca, em virtude do falecimento de seu esposo Antônio de Castro Alves, dirige o grupo que passou a adotar o nome de “Nação Corre Campo - O Gigante Sagrado da Amazônia Ocidental”. “Optamos por adotar essa nova nomenclatura já que realmente somos o maior vencedor de todos os festivais folclóricos que existiram e existem em Rondônia”, disse dona Branca.

Tema para 2017

O Corre Campo tem como objetivo, mostrar a cultura do povo de Rondônia e em especial o de Porto Velho. “Somos o único grupo de bumbá da Amazônia, que não se prende apenas aos rituais indígenas, em nossas apresentações, sempre exploramos um tema histórico, como a história da Madeira Mamoré, as Minas de Urucumacuã, a história da cidade de Porto Velho e mais, nossos rituais, não são cópias de rituais dos bois de Parintins, nossa equipe de artes, pesquisa e desenvolve os rituais que apresentamos no Flor do Maracujá, talvez por isso, somos o maior vencedor do festival”, concluiu o Amo Sílvio Santos.


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