Smartphones causam desequilíbrio no cérebro de adolescentes


NOTÍCIAS AO MINUTO | 20/12/2017

Os smartphones são indispensáveis nos dias que correm. Além da função básica para a qual foram criados, as chamadas, estes equipamentos permitem um contacto constante com o mundo, fazem as vezes das máquinas fotográficas, das consolas, das agendas, dos calendários, dos despertadores e até mesmo da memória das pessoas.

São vários os estudos que têm mostrado que os excessos em relação ao uso do aparelho podem ser prejudiciais à saúde, sabendo-se agora que é entre os jovens que o impacto pode ser mais negativo, uma vez que se trata da faixa etária que mais usa os telemóveis inteligentes.

Um estudo apresentado recentemente na reunião anual da Sociedade Radiológica da América do Norte identificou um desequilíbrio químico no cérebro de jovens com dificuldade em deixar de usar o smartphone. “Estudos como este são muito importantes. Além de comprovar os danos causados pelo vício em telemóveis, oferecem-nos condições para que possamos agir preventivamente em diferentes situações”, afirma o médico radiologista Abdalla Skaf, coordenador do Serviço de Radiologia do Hospital do Coração (HCor).

Realizada por pesquisadores da Universidade da Coreia do Sul, o estudo envolveu 19 jovens com idades entre nove e 15 anos de idade, com diagnóstico de dependência de internet ou smartphones, e 19 jovens saudáveis na mesma faixa etária.

Para avalia-los, os cientistas utilizaram uma Espectroscopia de Ressonância Magnética (ERM). “Esta técnica consiste num tipo de ressonância magnética e é utilizada para medir a composição química do cérebro. Com isto, é possível obter uma visão mais detalhada da condição cerebral do paciente para fins de análise e comparação”, explica o o médico Abdalla Skaf.

Outra iniciativa adotada durante a pesquisa sul-coreana foi submeter jovens considerados dependentes a nove semanas de um tipo de terapia comportamental cognitiva modificada, a partir de um programa indicado para o vício em jogos eletrónicos. Paralelamente, os jovens também responderam a testes para medir o quanto a sua dependência de internet e smartphones afetava a rotina diária, vida social, produtividade, padrões de sono e estado emocional.

“O que se se verificou foi que, em maior ou menor grau, todos os participantes apresentavam sintomas, como depressão, ansiedade, insónia e impulso”, acrescenta o radiologista do HCor.

Os jovens dependentes ainda realizaram um número maior de exames de ERM – um antes e outro depois da terapia comportamental. Já entre os pacientes do controlo saudável passaram apenas por um único estudo ERM. Em ambos os casos, O objetivo foi medir os níveis de ácido gama aminobutírico ou GABA (neurotransmissor capaz de inibir ou retardar sinais cerebrais) e glutamato (Glx), cuja atuação no cérebro faz com que os neurónios se tornem mais excitados eletricamente. “Estudos anteriores sugeriram que o GABA tem relação com a visão, com o controlo motor e com a regulação de várias funções cerebrais, o que inclui a ansiedade”, afirma o médico.

Os resultados da ERM revelaram então que, em comparação com os controlos saudáveis, a proporção de GABA para Glx foi significativamente aumentada no córtex cingulado anterior de jovens dependentes de smartphones e internet antes da terapia. “O excesso de GABA pode resultar em uma série de efeitos colaterais que incluem sonolência e ansiedade. Portanto, podemos afirmar que os resultados desta pesquisa podem não só nos ajudar a entender melhor quais os reais efeitos do uso excessivo de smatphones, entre a juventude e a adolescência, mas também nos fornecer informações úteis para o tratamento deste novo tipo de dependência”, conclui o radiologista do HCor.


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